Sobre a obra
O que significa realmente aprender a ler? No Didascalicon, Hugo de São Vítor oferece uma resposta muito mais ampla do que um simples conjunto de técnicas de estudo. Escrito no século XII, o tratado apresenta a formação intelectual como um caminho ordenado em direção à sabedoria, no qual leitura, meditação, memória, disciplina e vida moral não podem ser separadas. Hugo começa organizando o próprio universo do conhecimento: distingue filosofia teórica, prática, mecânica e lógica, explica o lugar do trívio e do quadrívio e surpreende ao incluir entre as disciplinas filosóficas atividades como agricultura, medicina, navegação, fabricação de instrumentos e arte têxtil. Em seguida, passa ao núcleo mais pessoal da obra e pergunta como alguém deve estudar para que o conhecimento realmente permaneça. O leitor encontra orientações sobre memória, concentração, ordem das leituras, investigação, tranquilidade, parcimônia e, sobretudo, humildade intelectual. É nesse contexto que surge a célebre recomendação de aprender com todos, não desprezar nenhuma ciência e reconhecer que a soberba pode impedir o estudante de avançar mais do que a própria falta de capacidade. A segunda parte conduz esse método ao estudo das Sagradas Escrituras, explicando história, alegoria e tropologia, os diferentes níveis de interpretação, a ordem dos livros e a relação entre leitura, meditação, oração, ação e contemplação.Esta edição de 2026 apresenta tradução direta do latim por Bruno Martins Fonseca a partir do texto de J.-P. Migne, preservando os sete livros e os 132 capítulos da fonte. O volume inclui introdução, nota editorial e uma advertência específica sobre o Livro VII, conservado como apêndice por não integrar propriamente o Didascalicon na tradição principal. Uma obra fundamental para estudantes de filosofia e letras, professores, leitores de autores medievais e todos os que desejam compreender o estudo não como acúmulo de informações, mas como formação ordenada da inteligência e do caráter.