Sobre a obra
Passagem mais célebre da filosofia ocidental, a Alegoria da Caverna abre o Livro VII de A República, escrito por Platão (c. 428–348 a.C.) em Atenas, no século IV a.C. No diálogo, Sócrates descreve a Glauco homens acorrentados desde a infância no fundo de uma caverna, obrigados a olhar apenas para a parede à frente, onde se projetam as sombras de objetos carregados diante de uma fogueira. Para esses prisioneiros, as sombras são a única realidade.A partir dessa imagem, o texto acompanha a libertação de um deles, a subida dolorosa até a luz do sol, o reconhecimento das coisas verdadeiras e o retorno à caverna, onde quem enxergou vira motivo de riso. Mais do que uma reflexão sobre aparência e conhecimento, o trecho define a educação como conversão do olhar — não depositar saber numa alma vazia, mas girar para a direção certa uma capacidade que já existe — e conclui com a tese política de que a cidade mais bem governada é aquela em que menos desejam mandar os que devem mandar.