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Oração a Nossa Senhora de Guadalupe pelos enfermos

Oração a Nossa Senhora de Guadalupe pelos enfermos — continuação
Imaculada Mãe, Santa Maria de Guadalupe, Saúde dos doentes, nas tuas mãos de enfermeira Celestial que curaram João Bernardino e nos trouxeram um Rio de Luz, de Vida e de Saúde, coloco a minha fé, a minha esperança e todos os meus sofrimentos para que os possa unir à Paixão do teu Filho Jesus Cristo, como meio de salvação para mim e para os meus irmãos. A partir deste momento, aceito tudo o que o Sagrado Coração do seu Filho me envia. Quero completar na minha vida o que falta a Sua Paixão Redentora. Confio que me dará força e tudo o que precisar para encontrar minha saúde espiritual e também minha saúde física, se for para a Glória de Deus e verdadeiro bem de minha alma. Amém
A história do Monte Gargano

A história do Monte Gargano — continuação
Situado a cerca de oitocentos metros de altitude, sobre um imponente promontório que avança em direção ao mar Adriático, o Santuário de São Miguel Arcanjo do Monte Gargano chama a atenção tanto por sua arquitetura singular quanto pela posição geográfica privilegiada.
O conjunto é formado por pequenas construções agrupadas harmoniosamente no alto da montanha. No centro encontra-se a célebre gruta onde, segundo a antiga tradição, apareceu São Miguel Arcanjo, Príncipe da Milícia Celeste e defensor da Igreja.
Desde aqueles tempos remotos, o Monte Gargano tornou-se um dos grandes centros de devoção a São Miguel em toda a Cristandade. Ao longo dos séculos, milhões de peregrinos passaram pelo lugar, entre eles Papas, reis e santos. Sua história, porém, remonta aos primeiros séculos da Idade Média.
A flecha volta-se contra o arqueiro
Antigas crônicas relatam que, no ano de 490, um nobre de Siponto — cidade que atualmente integra o território da comuna italiana de Manfredonia — procurava nas redondezas um de seus touros, que havia se afastado do rebanho.
Depois de várias horas de procura e já vencido pelo cansaço, estava prestes a retornar para casa quando finalmente encontrou o animal.
O touro estava diante da entrada de uma gruta rochosa, de difícil acesso, situada na parte mais elevada da montanha que dominava a cidade. Logo se percebeu que seria extremamente difícil retirar o animal dali.
Tomado pela irritação, o nobre disparou uma flecha com a intenção de matar o touro. Para espanto de todos os que presenciaram a cena, porém, a flecha voltou-se contra o próprio arqueiro e o feriu.
Ao tomarem conhecimento daquele acontecimento extraordinário, os habitantes de Siponto procuraram seu bispo, São Lourenço Maiorano, pedindo-lhe que interpretasse o misterioso episódio.
O santo prelado determinou então três dias de jejum, durante os quais todos deveriam pedir a Deus que manifestasse Seus desígnios a respeito daquele acontecimento.
A resposta às orações e penitências não tardou.
Ao nascer do sol do quarto dia, 8 de maio de 490, enquanto São Lourenço rezava na igreja de Santa Maria Maior, antiga catedral de Siponto, apareceu-lhe o glorioso Príncipe da Milícia Celeste.
São Miguel revelou-lhe que aquele lugar estava sob sua especial proteção. Apresentou-se como o Arcanjo que permanece diante de Deus e manifestou sua vontade de que a gruta fosse destinada ao culto cristão, declarando-se seu guardião e protetor.
Como confirmação dessa intervenção, o nobre atingido pela flecha teria sido milagrosamente curado, desaparecendo até mesmo as marcas de seus ferimentos.
São Miguel alcança a vitória
A notícia espalhou-se rapidamente pela Europa e pelo Mediterrâneo, chegando até Constantinopla. Enquanto isso, os fiéis de Siponto começaram a subir o Monte Gargano para pedir a intercessão de São Miguel Arcanjo, e numerosas graças passaram a ser atribuídas à sua proteção.
Dois anos depois da primeira aparição, aconteceria um dos episódios mais célebres ligados ao santuário.
Siponto encontrava-se cercada por um poderoso exército bárbaro. Diante da ameaça, São Lourenço subiu até a gruta para implorar o auxílio de São Miguel e aconselhou o povo a solicitar uma trégua de três dias. Durante esse período, os habitantes deveriam jejuar e rezar ao Deus dos Exércitos.
Os invasores aceitaram a trégua.
Ao término dos três dias, na madrugada de 29 de setembro de 492, São Miguel apareceu novamente ao santo bispo enquanto ele rezava na catedral. O Arcanjo anunciou a vitória e ordenou que os defensores não atacassem antes das quatro horas da tarde.
São Lourenço reuniu o povo e comunicou as instruções recebidas. Cheios de confiança, os habitantes passaram as horas seguintes em oração. Quando chegou o momento indicado, partiram ao encontro dos adversários.
Segundo as antigas crônicas, os invasores confiavam em sua própria força, enquanto o povo de Siponto confiava na promessa celeste.
Quando a batalha começou, uma espessa nuvem cobriu o Monte Gargano. A terra tremeu, o mar agitou-se e uma terrível tempestade caiu sobre a região. Raios atingiram o exército invasor, enquanto os habitantes de Siponto foram preservados. Tomados pelo terror, os inimigos fugiram.
Em ação de graças, São Lourenço conduziu o povo em procissão até a gruta do Arcanjo. Diante dela, encontraram marcas semelhantes a pegadas humanas impressas na rocha e atribuíram-nas imediatamente a São Miguel.
O povo ainda não ousou entrar na gruta. Limitou-se a venerar aqueles sinais como testemunho da presença e da proteção do Arcanjo.
Eu mesmo consagrei este lugar
Em 8 de maio de 493, São Lourenço voltou à gruta para recordar o terceiro aniversário da primeira aparição.
Desejava transformar aquele lugar solitário num verdadeiro santuário, onde Deus fosse louvado e a Santa Missa celebrada regularmente. Não sabia, contudo, de que maneira deveria proceder para consagrá-lo.
Decidiu então consultar o Papa São Gelásio, recentemente elevado ao Trono de São Pedro.
O Pontífice recebeu favoravelmente os mensageiros do bispo, mas, em vez de simplesmente determinar a data da dedicação, aconselhou São Lourenço a procurar conhecer a vontade do próprio Arcanjo.
O Papa pediu ainda que fossem realizados três dias de jejum em Siponto, acompanhados pelas orações de sete bispos das dioceses vizinhas. O próprio Santo Padre prometeu unir-se, de Roma, às súplicas.
Em 26 de setembro de 493, começou o solene tríduo.
Na noite do dia 29, São Lourenço recebeu uma nova aparição. São Miguel declarou que não caberia aos homens dedicar aquela basílica, pois ele próprio a havia escolhido e santificado. Ordenou que entrassem na gruta, ali rezassem assiduamente e celebrassem a Santa Missa.
Ao amanhecer do dia seguinte, bispos e fiéis dirigiram-se para o local.
Segundo a antiga narrativa, o sol brilhava intensamente durante o caminho quando quatro grandes águias surgiram sobre a procissão. Duas fizeram sombra sobre os bispos e o povo, enquanto as outras duas agitavam as asas, produzindo uma brisa refrescante.
Ao chegarem à gruta, encontraram na parede uma imagem de São Miguel. No interior havia um altar talhado na própria rocha, sobre o qual se encontrava uma cruz de cristal, interpretada como sinal da consagração prometida.
A gruta passou, assim, a ser venerada como um santuário singular: um lugar cuja dedicação, segundo a tradição, não teria sido realizada por mãos humanas.
Séculos de devoção a São Miguel
Ao tomar conhecimento dos acontecimentos narrados por São Lourenço, o Papa São Gelásio estabeleceu o dia 29 de setembro em honra de São Miguel. Posteriormente, São Gabriel e São Rafael também seriam celebrados nessa data, dando origem à atual comemoração litúrgica dos três Arcanjos.
Nos séculos seguintes, a história do santuário acompanhou as grandes transformações políticas e religiosas da região, inclusive os conflitos entre bizantinos e lombardos. No século XI foi construída a antiga igreja, cujas ruínas ainda permanecem.
Entre os santos e grandes figuras da Cristandade que peregrinaram ao Monte Gargano encontram-se São Bernardo, São Guilherme de Vercelli, São Tomás de Aquino, Santa Catarina de Sena e São Francisco de Assis.
A tradição conta que São Francisco, julgando-se indigno de entrar na gruta, permaneceu em oração diante de sua entrada. Ali beijou o chão e gravou numa das pedras o sinal do Tau.
A aparição durante a peste
Em 1656, durante uma terrível epidemia que assolava a Itália e fazia numerosas vítimas, a tradição registra uma quarta aparição.
Dom Giovanni Alfonso Puccinelli, arcebispo de Manfredonia, determinou que fossem realizadas orações e penitências para implorar o auxílio do protetor celeste. Colocou ainda uma súplica escrita nas mãos da imagem de São Miguel.
Enquanto rezava, o Arcanjo teria aparecido e ordenado que fossem abençoados pequenos fragmentos de pedra retirados da gruta. Neles deveriam ser gravados seu nome e o sinal da Cruz.
Segundo a narrativa tradicional, aqueles que fizeram uso dessas pedras foram preservados ou curados da peste.
Unidos a São Miguel, combateremos sob a vitória de Deus
Ainda hoje, o Santuário do Monte Gargano permanece como importante destino de peregrinação, favorecido também por sua proximidade com San Giovanni Rotondo.
Seria, porém, um grave erro considerar sua história apenas como uma curiosidade piedosa pertencente a um passado distante.
A Igreja continua sendo Igreja militante. Enquanto peregrina neste mundo, seus filhos enfrentam um verdadeiro combate espiritual contra o pecado, as tentações e as forças que procuram afastar as almas de Deus.
Nesse combate, São Miguel ocupa um lugar singular. Ele é apresentado pela tradição cristã como defensor do povo de Deus e Príncipe da Milícia Celeste. Sua missão nos recorda que a vitória não vem de nossa própria força, mas do Senhor.
Por isso, crescer na devoção a São Miguel não significa procurar uma segurança supersticiosa. Significa colocar-nos sob sua intercessão para combater com maior fidelidade, permanecer na graça e rejeitar aquilo que nos separa de Deus.
O mesmo brado que recorda a derrota do orgulho angélico deve tornar-se também uma profissão de fé para nossa vida espiritual:
Quis ut Deus? — Quem como Deus?
Ninguém.
Fonte: LUCERA, Giuseppe Marinelli di. Ragguaglio del venerabile ed insigne Santuario dello Arcangelo S. Michele nel Monte Gargano. Napoli: Tipografia di Gennaro Fabricatore, 1858, p.8.
Breve história da aparição de Nossa Senhora de Guadalupe
A abertura do Novo Mundo trouxe também missionários desejosos de anunciar a fé cristã às populações nativas. Entre os convertidos encontrava-se Juan Diego, um humilde indígena que vivia na região central do México.
Em dezembro de 1531, enquanto caminhava próximo ao monte Tepeyac, Juan encontrou uma belíssima Senhora envolvida por intensa luz. Falando-lhe em sua própria língua, ela se apresentou como a sempre Virgem Maria, Mãe do verdadeiro Deus, e pediu que naquele lugar fosse construída uma igreja, onde pudesse manifestar sua compaixão e consolar os que recorressem a ela.
Juan dirigiu-se então ao bispo eleito do México, Frei Juan de Zumárraga. Depois de longa espera, conseguiu relatar o que havia visto e transmitir o pedido de Nossa Senhora. O bispo, prudente, não rejeitou o relato, mas pediu tempo para examiná-lo.
Sentindo-se pequeno para aquela missão, Juan voltou ao Tepeyac e pediu a Nossa Senhora que escolhesse alguém mais importante. Ela, porém, confirmou que desejava contar com ele e ordenou que retornasse ao bispo. Na nova audiência, Frei Juan pediu um sinal que comprovasse a origem celestial da mensagem.
A doença do tio e o sinal prometido
Juan deveria voltar ao monte no dia seguinte, mas seu tio, Juan Bernardino, adoeceu gravemente. Preocupado, ele permaneceu junto do enfermo e depois saiu em busca de um sacerdote. Ao passar novamente perto do Tepeyac, tentou seguir outro caminho para não se atrasar, mas Nossa Senhora veio ao seu encontro.
Não estou eu aqui, que sou tua Mãe?
Ela assegurou que seu tio estava curado e mandou Juan subir ao alto da colina. Apesar do inverno, ele encontrou ali rosas de Castela em plena floração. Colheu-as em sua tilma, um manto simples de fibras vegetais, e levou-as à Senhora. Nossa Senhora dispôs as flores no manto e ordenou que fossem apresentadas somente ao bispo como o sinal pedido.
Nossa Senhora de Guadalupe — continuação
O sinal na tilma
Juan Diego voltou ao palácio episcopal. Diante de Frei Juan de Zumárraga e de seus auxiliares, abriu a tilma para deixar cair as rosas. Nesse momento, segundo a tradição, apareceu sobre o tecido a imagem de Nossa Senhora tal como Juan a havia visto no Tepeyac. O bispo e os presentes se ajoelharam, reconhecendo naquele acontecimento o sinal que haviam pedido.
No dia seguinte, Juan conduziu o bispo ao local das aparições. Depois voltou para sua aldeia e encontrou o tio restabelecido. Juan Bernardino contou que também recebera a visita de Nossa Senhora e que ela desejava ser invocada sob o título de Santa Maria de Guadalupe.
Nossa Senhora de Guadalupe
A imagem permaneceu exposta à veneração dos fiéis e a devoção espalhou-se rapidamente. Nos anos seguintes, a evangelização do México conheceu extraordinário crescimento, e Nossa Senhora de Guadalupe tornou-se um dos grandes sinais da presença materna de Maria entre os povos do continente americano.
Ao longo dos séculos, a tilma atravessou condições que naturalmente poderiam ter deteriorado suas fibras vegetais. Também esteve próxima de incêndios, fumaça, umidade e outros acidentes. Em 1921, uma bomba explodiu diante da imagem, danificando o altar e entortando uma cruz metálica próxima; a tilma, contudo, permaneceu preservada.
Um sinal que continua a conduzir a Cristo
Diversos estudos foram realizados sobre o tecido e sobre a formação da imagem, alimentando ainda mais o interesse em torno de sua conservação. Para a devoção católica, porém, a mensagem de Guadalupe não depende da curiosidade científica: o centro permanece o chamado de Nossa Senhora para que os homens se aproximem de seu Filho.
Hoje a tilma é venerada na Basílica de Nossa Senhora de Guadalupe, na Cidade do México, destino de milhões de peregrinos. A antiga mensagem do Tepeyac continua simples e profundamente cristã: Maria se apresenta como Mãe que acolhe, consola e conduz seus filhos a Jesus Cristo.
A importância da devoção ao Sagrado Coração de Jesus
A devoção ao Sagrado Coração de Jesus não se reduz à contemplação de uma imagem nem à veneração de um símbolo isolado. A obra que reúne a doutrina atribuída a Santa Margarida Maria Alacoque apresenta dois aspectos inseparáveis: o Coração verdadeiro de Nosso Senhor, unido à sua Pessoa divina, e o amor imenso que esse Coração significa e manifesta.
O coração é, em toda linguagem humana, sinal natural do amor. Por isso, honrar o Coração de Jesus é voltar os olhos para o próprio Cristo e para o amor com que Ele ama o Pai, ama Nossa Senhora, guarda a Igreja e se compadece dos pecadores. A devoção conduz, portanto, à Pessoa de Nosso Senhor: ao seu amor, às suas virtudes, aos seus sofrimentos, à sua misericórdia e à sua vontade de salvar.
A obra insiste em que o Coração de Jesus deve ser contemplado sob dois aspectos ao mesmo tempo: abrasado de amor pelos homens e ferido pela ingratidão com que esse amor é recebido. Dessa verdade nasce toda a vida interior da devoção. Diante de um amor tão grande, a alma é chamada a responder; diante de um amor desprezado, é chamada a reparar.
Assim, a importância desta devoção está em reconduzir a vida cristã ao seu centro: amar Nosso Senhor porque Ele nos amou primeiro, aprender a ler a própria existência à luz do seu Coração e permitir que o amor de Cristo transforme a inteligência, a vontade, os afetos, as relações e os deveres cotidianos.
A linguagem do Sagrado Coração torna visível uma verdade que atravessa todo o Evangelho: Nosso Senhor não nos salva de maneira fria ou distante. Ele nos ama. Na doutrina reunida a partir dos escritos de Santa Margarida Maria, esse amor aparece como sincero, misericordioso, constante, universal e fiel.
É o Coração do Criador e do Salvador, mas também o Coração do Bom Pastor que procura, do Mestre que ensina, do amigo que escuta e do benfeitor que se inclina sobre a miséria humana. A alma pode, por isso, abrir diante de Nosso Senhor suas fraquezas e necessidades sem fingimento. A confiança cristã não nasce da ideia de que somos fortes, mas da certeza de que o Coração de Jesus é bom e misericordioso.
A mesma obra apresenta o Coração de Cristo como tesouro, oceano de misericórdia, porto seguro, abrigo e lugar de repouso. Essas imagens não pretendem criar uma piedade sentimental. Elas ensinam uma atitude: nas tentações, procurar auxílio em Cristo; nas aflições, não fugir d'Ele; na tibieza, pedir novo fervor; na fraqueza, deixar-se sustentar; depois das quedas, voltar à misericórdia.
Quem se aproxima do Sagrado Coração é chamado a fazer de Jesus não apenas uma lembrança religiosa, mas o princípio ordenador da própria vida. O coração humano encontra descanso quando deixa de procurar segurança absoluta nas criaturas e aprende a repousar naquele que permanece fiel.
A obra resume o espírito desta devoção em duas palavras: amor e reparação. Nosso Senhor quer reinar pelo amor. Porque nos ama, pede que respondamos com amor; porque tantas vezes não é amado, pede que esse amor tome também a forma de reparação.
Reparar não significa imaginar que podemos acrescentar algo à Redenção realizada por Cristo. Significa unir-nos a Ele e responder, com adoração, arrependimento, fidelidade e caridade, às ofensas, indiferenças e ingratidões cometidas contra Deus. A reparação começa pelos próprios pecados. Antes de lamentar a frieza do mundo, o devoto do Sagrado Coração examina a própria vida e pergunta onde recusou a graça, onde foi indiferente e onde deixou de amar.
Por isso, a reparação não é apenas uma oração pronunciada. Pode assumir a forma de uma Confissão sincera, de uma renúncia oferecida, de uma palavra impaciente que foi contida, de um dever cumprido com fidelidade, de uma humilhação aceita sem revolta ou de uma obra de caridade feita em segredo. O amor procura consolar o Coração de Jesus tornando a vida mais semelhante à d'Ele.
Na tradição apresentada pela obra, as práticas de desagravo possuem forte caráter eucarístico. A alma reparadora procura permanecer junto de Nosso Senhor, especialmente no Santíssimo Sacramento, oferecendo-lhe amor por amor. Assim, a reparação deixa de ser mero sentimento de tristeza e torna-se uma escola de conversão.
A devoção ao Sagrado Coração possui uma ligação profunda com a Santíssima Eucaristia. A obra recomenda que grande parte das práticas desta devoção seja feita diante do Santíssimo Sacramento ou em união com Jesus presente na Sagrada Hóstia. O Coração contemplado na imagem é o Coração daquele mesmo Cristo que se entrega sacramentalmente à Igreja.
Entre as homenagens destacadas estão a Santa Missa, a Comunhão sacramental, a Comunhão espiritual, a adoração e os atos de reparação. Na tradição de Paray-le-Monial, recebem particular destaque a Comunhão das primeiras sextas-feiras e a Hora Santa, vividas não como gestos automáticos, mas como respostas de amor, penitência e união com Nosso Senhor.
A Eucaristia impede que a devoção ao Sagrado Coração se transforme numa piedade abstrata. Diante do sacrário, o cristão encontra Cristo realmente presente; na Santa Missa, une-se ao Sacrifício do Calvário; na Comunhão, recebe Aquele que deseja habitar em sua alma. A verdadeira devoção conduz, portanto, a uma vida sacramental mais séria e a uma reverência maior diante do Santíssimo Sacramento.
Quanto mais a alma contempla o amor do Coração de Jesus na Eucaristia, mais compreende que esse amor pede resposta. Receber Nosso Senhor exige preparar o coração, combater o pecado, cultivar recolhimento e permitir que a Comunhão produza frutos na maneira de viver.
Consagrar-se ao Sagrado Coração significa reconhecer, de modo consciente e livre, o senhorio de Nosso Senhor sobre a própria vida. A obra descreve a consagração como uma homenagem que envolve a inteligência, a vontade e a oferta de si: reconhecer os direitos de Cristo, submeter-se ao seu reinado e entregar-lhe livremente aquilo que somos e possuímos.
Por isso, a consagração não termina quando se recita uma fórmula. As palavras exteriores devem exprimir uma decisão interior. Dizer que pertencemos ao Coração de Jesus e continuar organizando a vida como se fôssemos senhores absolutos de nós mesmos seria contraditório. A consagração pede que escolhas, projetos, bens, trabalho, família e sofrimentos sejam colocados diante de Nosso Senhor.
A tradição do Sagrado Coração dá especial importância à consagração das famílias. O objetivo não é transformar a casa em cenário religioso, mas permitir que Cristo reine nela de modo concreto: na oração, na fidelidade conjugal, na educação dos filhos, no perdão, na honestidade, na maneira de usar o dinheiro e no cuidado dos mais frágeis.
Uma imagem do Sagrado Coração no lar pode recordar essa entrega, mas o sinal exterior só encontra sua verdade quando é acompanhado por uma vida que procura obedecer. O reinado de Cristo começa no coração e se torna visível nos hábitos da casa.
A devoção verdadeira não consiste apenas em multiplicar práticas exteriores. A própria obra adverte que as homenagens devem conduzir à imitação das virtudes de Nosso Senhor. O Coração de Jesus é apresentado como modelo de humildade, mansidão, caridade, misericórdia, pureza e desprendimento.
Ao falar das almas que mais profundamente entram na intimidade do Coração de Cristo, a tradição reunida no livro destaca a humildade, o desapego, a mortificação, a obediência, a caridade e o silêncio interior. Essas virtudes mostram que a devoção possui consequências muito concretas. A pessoa que honra o Coração de Jesus precisa permitir que Ele corrija aquilo que ainda é contrário ao seu espírito.
Humildade para não procurar a própria glória. Mansidão para não responder a toda ofensa com ira. Obediência para preferir a vontade de Deus à própria vontade. Mortificação para que os desejos não governem a razão. Caridade para procurar o verdadeiro bem do próximo. Recolhimento para que a voz de Deus não seja sufocada pelo ruído.
O Pe. João Baptista Reus resume essa disposição numa pequena oferta: fazer tudo pelo Sacratíssimo Coração de Jesus. Quando uma obra comum é realizada por amor de Deus, com reta intenção e fidelidade ao dever, ela deixa de ser espiritualmente indiferente e se torna matéria de santificação.
A tradição do Sagrado Coração é conhecida também por suas promessas. O livro, porém, faz uma advertência essencial: elas não devem ser tratadas como um contrato mágico nem separadas de uma devoção verdadeira e constante. Limitar-se a atos exteriores, sem procurar corresponder ao amor de Cristo e sem praticar as virtudes que Ele pede, seria iludir-se.
As graças temporais ocupam lugar secundário. O maior fruto da devoção é espiritual: crescer no amor de Deus, reencontrar confiança na misericórdia, combater a tibieza, receber força nas provações, procurar a conversão, viver com maior fervor e avançar no caminho da perfeição cristã. A promessa deve levar à fidelidade, não à presunção.
O Coração de Jesus aparece, nas páginas da obra, como refúgio dos pecadores, força dos fracos, consolo dos aflitos e escola das almas que desejam amar. Quanto mais alguém se aproxima desse Coração, mais é chamado a abandonar o pecado e a entregar-se ao Senhor.
Ao concluir esta breve apresentação, retenhamos o essencial: a devoção ao Sagrado Coração é uma escola de amor correspondido e de reparação. Ela nos convida a contemplar o amor de Cristo, recebê-lo com gratidão, unir-nos a Ele na Eucaristia, consagrar-lhe a vida e imitar suas virtudes. O objetivo não é apenas possuir uma devoção a mais, mas permitir que o Coração de Jesus reine verdadeiramente em nós.
Fonte-base editorial: O Coração de Jesus segundo a doutrina da Beata Margarida Maria Alacoque (Lisboa, 1907), especialmente as considerações sobre o objeto da devoção, amor e reparação, homenagens, virtudes e promessas; com apoio devocional do manual de Pe. João Baptista Reus. Texto sintetizado e atualizado apenas na ortografia e na organização.
Orações Diversas — Abertura
Consagração ao Sagrado Coração de Jesus
1. Ó Jesus, salvador amável, eu vos ofereço o meu coração em ação de graças por todos os vossos benefícios, e vo-lo consagro inteiramente em reparação de todas as minhas infidelidades passadas; e, com o auxílio da vossa graça, proponho nunca mais vos ofender.
2. Senhor Jesus Cristo, unido àquela divina intenção com que vós, na Terra, por vosso santíssimo Coração, glorificastes a Deus e ainda agora, no sacramento da Eucaristia, continuais a glorificá-lo sem cessar em todos os lugares do mundo até à consumação dos séculos: eu, durante todo este dia, sem excetuar nenhuma, nem a menor parte, à imitação do sacratíssimo Coração da bem-aventurada sempre Virgem Maria Imaculada, vos ofereço de bom grado todas as minhas intenções e pensamentos, todos os meus afetos e desejos, todas as minhas obras e palavras.
Oração pelos sacerdotes
Ó Jesus, Sacerdote Eterno, guardai os Vossos sacerdotes no Vosso sagrado Coração, onde nada de mal lhes possa acontecer, conservai imaculadas as suas mãos ungidas, que tocam todos os dias o Vosso sagrado Corpo.
Conservai imaculado os seus lábios, diariamente, tingidos com o Vosso Preciosíssimo Sangue.
Conservai os seus corações, que selastes com o sublime Sacramento da Ordem, puros e livres de todo o terreno.
Que o Vosso amor os proteja e os preserve do contágio do mundo.
Abençoai os seus trabalhos apostólicos com abundantes frutos.
Fazei que as almas confiadas aos seus cuidados e direção sejam a sua alegria na Terra e formem no Céu a sua gloriosa e imperecível coroa. Amém.
Orações Diversas
Consagração ao Espírito Santo
Ó Santo Espírito, Espírito divino de luz e amor, eu vos consagro minha Inteligência, minha vontade, meu coração e todo o meu ser, seja no tempo, seja na eternidade. Que minha inteligência seja sempre dócil às vossas celestiais inspirações e aos ensinamentos da santa Igreja católica da qual sois guia infalível; que o meu coração viva sempre inflamado com o amor de Deus e do próximo; que minha vontade esteja sempre conformada à vontade divina e que toda a minha vida seja fiel imitação da vida e das virtudes de Nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo, ao qual, com o Pai e convosco, ó divino Espírito, sejam dadas honra e glória pelos séculos dos séculos. Amém.
Consagração ao Coração de Maria
Ó minha Soberana, ó minha Mãe, eu me ofereço a vós inteiramente; e, em prova de minha devoção para convosco, eu vos consagro hoje meus olhos, meus ouvidos, minha boca, meu coração e inteiramente todo o meu ser. Pois que vos pertenço, ó minha boa Mãe, guardai-me e defendei-me como coisa e propriedade vossa. Ave-Maria.
Fonte: Pe. João Baptista Reus, manual de orações e instruções religiosas; ortografia atualizada.
Oração a São José
Ó São José, fiel guardião e pai nutrício do meu Redentor Jesus Cristo, castíssimo esposo da Mãe de Deus! Eu, _______, vos escolho hoje como meu padroeiro e advogado singular e proponho firmemente nunca vos abandonar nem permitir que qualquer pessoa faça algo contra a vossa honra. Peço-vos, pois, suplicante, que vos digneis me acolher como vosso protegido perpétuo, instruir nas dúvidas, consolar nas adversidades e, por fim, defender e proteger na hora da morte. Amém.
Santo Anjo da Guarda do Brasil
SANTO ANJO DO BRASIL, vós fostes encarregado pelo PAI ETERNO de guardar esta Terra de Santa Cruz e ajudá-la a crescer e desenvolver-se conforme Seus desígnios benevolentes.
Nós cremos no vosso poder junto de DEUS e confiamos na vossa prontidão em socorrer-nos. Sede, pois, nosso guia para que cumpramos convosco a nossa missão no mundo.
Ajudai a Igreja no Brasil a anunciar CRISTO com franqueza e alegria e penetrar toda a sociedade com o fermento do Evangelho.
Afastai, com a força da Santa Cruz, todos os poderes inimigos que ameaçam o povo brasileiro.
Unimos as nossas preces às vossas. Apresentai-as diante do Trono de DEUS, para que, unidas ao sacrifício de JESUS, oferecido diariamente em nossos altares, alcancem aquelas graças que mais precisamos nesta hora de combate espiritual.
E guardai-nos, sempre debaixo do manto protetor de Nossa Senhora Aparecida, nossa Mãe e Rainha, para que permaneçamos fiéis no caminho de JESUS, o único que nos conduz da terra ao Céu. Lá na assembleia de todos os povos, unidos como uma só família de DEUS, louvaremos e agradeceremos convosco ao PAI Eterno, com seu FILHO e ESPÍRITO de Amor, por tada a eternidade.
Amém
Oração depois da Comunhão
Meu Jesus, eu creio que estais realmente presente no Santíssimo Sacramento do Altar. Amo-vos sobre todas as coisas, e minha alma suspira por Vós. Mas, como não posso receber-Vos agora no Santíssimo Sacramento, vinde, ao menos espiritualmente, a meu coração. Abraço-me convosco como se já estivésseis comigo: uno-me Convosco inteiramente. Ah! não permitais que torne a separar-me de Vós
Alma de Cristo
Alma de Cristo, santificai-me.
Corpo de Cristo, salvai-me.
Sangue de Cristo, inebriai-me.
Água do lado de Cristo, lavai-me.
Paixão de Cristo, confortai-me.
Ó bom Jesus, ouvi-me.
Dentro de vossas chagas escondei-me.
Não permitais que me separe de vós.
Do espírito maligno defendei-me.
Na hora da morte chamai-me.
E mandai-me ir para vós,
para que com os vossos santos vos louve,
por todos os séculos dos séculos.
Amém.
Oração atribuída ao Papa Clemente XI
Senhor, creio em Vós, fazei que creia com mais firmeza; espero em Vós, fazei que espere com mais confiança; amo-Vos, aumentai o meu amor; arrependo-me, avivai a minha dor.
Adoro-Vos como primeiro princípio; desejo-Vos como último fim; exalto-Vos como benfeitor perpétuo; invoco-Vos como defensor propício.
Dirigi-me com a vossa sabedoria; atai-me com a vossa justiça; consolai-me com a vossa clemência; protegei-me com o vosso poder.
Ofereço-Vos os meus pensamentos, para que se dirijam a Vós; minhas palavras, para que falem de Vós; minhas obras, para que sejam vossas; minhas contrariedades, para que as aceite por Vós.
Quero o que quereis, quero porque o quereis, quero como o quereis, quero enquanto o queirais.
Senhor, peço-Vos que ilumineis a minha mente, inflameis a minha vontade, limpeis o meu coração, santifiqueis a minha alma.
Que me afaste das faltas passadas, rejeite as tentações futuras, corrija as más inclinações, pratique as virtudes necessárias.
Concedei-me, Deus de bondade, amor por Vós, ódio por mim, zelo pelo próximo, desprezo pelo mundano.
Que saiba obedecer aos superiores, ajudar os inferiores, acolher os amigos, perdoar os inimigos.
Que vença a sensualidade com a mortificação, a avareza com a generosidade, a ira com a bondade, a tibieza com a piedade.
Fazei-me prudente nos conselhos, constante nos perigos, paciente nas contrariedades, humilde na prosperidade.
Senhor, fazei-me atento na oração, sóbrio na comida, perseverante no trabalho, firme nos propósitos.
Que procure ter inocência interior, modéstia exterior, conversa exemplar, vida ordenada.
Que lute por dominar a minha natureza, fomentar a graça, servir a vossa lei e obter a salvação.
Que aprenda de Vós como é pouco o terreno, como é grande o divino, como é breve o tempo, como é duradouro o eterno.
Fazei-me preparar a morte, temer o juízo, evitar o inferno e alcançar o Paraíso. Por Cristo Nosso Senhor. Amém.
Fica Comigo, Senhor!
Fica Senhor comigo, pois preciso da tua presença para não te esquecer.
Sabes quão facilmente posso te abandonar.
Fica Senhor comigo, porque sou fraco e preciso da tua força para não cair.
Fica Senhor comigo, porque és minha vida, e sem ti perco o fervor.
Fica Senhor comigo, porque és minha luz, e sem ti reina a escuridão.
Fica Senhor comigo, para me mostrar tua vontade.
Fica Senhor comigo, para que ouça tua voz e te siga.
Fica Senhor comigo, pois desejo amar-te e permanecer sempre em tua companhia.
Fica Senhor comigo, se queres que te seja fiel.
Fica Senhor comigo, porque, por mais pobre que seja minha alma, quero que se transforme num lugar de consolação para ti, um ninho de amor.
Fica comigo, Jesus, pois se faz tarde e o dia chega ao fim; a vida passa, e a morte, o julgamento e a eternidade se aproximam. Preciso de ti para renovar minhas energias e não parar no caminho. Está ficando tarde, a morte avança e eu tenho medo da escuridão, das tentações, da falta de fé, da cruz, das tristezas. Oh, quanto preciso de ti, meu Jesus, nesta noite de exílio.
Fica comigo, Senhor, porque na hora da morte quero estar unido a ti, se não pela Comunhão, ao menos pela graça e pelo amor.
Fica comigo, Jesus. Não peço consolações divinas, porque não as mereço, mas apenas o presente da tua presença, ah, isso sim te suplico!
Fica Senhor comigo, pois é só a ti que procuro, teu amor, tua graça, tua vontade, teu coração, teu Espírito, porque te amo, e a única recompensa que te peço é poder amar-te sempre mais. Com este amor resoluto desejo amar-te de todo o coração enquanto estiver na terra, para continuar a te amar perfeitamente por toda a eternidade. Amém.
São Padre Pio, rogai por nós!
Oração a Nossa Senhora de Guadalupe
Oh, Virgem Imaculada, Mãe do verdadeiro Deus e Mãe da Igreja, Tu, que desse lugar manifestas tua clemência e tua compaixão a todos que solicitam teu amparo, escuta a oração que te dirigimos, com filial confiança, e a apresente a teu Filho Jesus, nosso único Redentor. Mãe de Misericórdia, Mestra do sacrifício escondido e silencioso, a ti, que vens ao encontro de nós pecadores, te consagramos, neste dia, todo nosso ser e todo nosso amor.
Consagramos-te também nossa vida, nossos trabalhos, nossas alegrias, enfermidades e dores. Concede a paz, a justiça e a prosperidade a nossos povos. Tudo o que temos e somos colocamos sob teus cuidados, Senhora e Mãe nossa. Queremos ser totalmente teus e percorrer contigo o caminho de plena fidelidade a Jesus Cristo em sua Igreja. Não nos soltes de tua mão amorosa. Virgem de Guadalupe, Mãe das Américas, te pedimos por todos os bispos, para que conduzam os fiéis por caminhos de intensa vida cristã, de amor e humilde serviço a Deus e às almas.
Contempla essa imensa messe e intercede para que o Senhor infunda fome de santidade em todo o Povo de Deus, e envie abundantes vocações sacerdotais e religiosas, fortes na fé e zelosos dispensadoras dos mistérios de Deus. Concede aos nossos lares a graça de amar e respeitar a vida que começa com o mesmo amor com que concebeste, em teu seio, a vida do Filho de Deus.
Virgem Santa Maria, Mãe do Formoso Amor, protege nossas famílias, para que estejam sempre muito unidas, e abençoe a educação de nossos filhos. Esperança nossa, lança-nos um olhar compassivo, ensina-nos a procurar, continuamente, a Jesus e, se cairmos, ajuda-nos a nos levantar, a nos voltarmos a Ele, mediante a confissão de nossas culpas e pecados no sacramento da Penitência, que traz serenidade à nossa alma.
Nós te suplicamos para que nos concedas um grande amor a todos os santos sacramentos, que são as pegadas de teu Filho na terra. Assim, Mãe Santíssima, com a paz de Deus na consciência, com nossos corações livres do mal e do ódio, poderemos levar a todos a verdadeira alegria e a verdadeira paz, que vem de teu Filho, nosso Senhor Jesus Cristo, que com Deus Pai e com o Espírito Santo vive e reina pelos séculos dos séculos. Amém.
Sua Santidade João Paulo II México, janeiro de 1979.
Renovação das promessas batismais
S. Renunciais a Satanás?
T. Renuncio.
S. E a todas as suas obras?
T. Renuncio.
S. E a todas as suas vaidades?
T. Renuncio.
S. Credes em Deus Pai Todo Poderoso, Criador do Céu e da Terra?
T. Creio.
S. Credes em Jesus Cristo, um só seu Filho, Nosso Senhor, que nasceu e padeceu?
T. Creio.
Orações Diversas — Fechamento
Oração à Santíssima Trindade
Santíssima Trindade, Pai, Filho, Espírito Santo,
adoro-Vos profundamente
e ofereço-Vos o preciosíssimo Corpo, Sangue, Alma e Divindade de Jesus Cristo,
presente em todos os sacrários da terra,
em reparação dos ultrajes, sacrilégios e indiferenças com que ele mesmo é ofendido.
E pelos méritos infinitos do Seu Santíssimo Coração
e do Coração Imaculado de Maria,
peço-Vos a conversão dos pobres pecadores.
À Vossa proteção
À Vossa Proteção recorremos, Santa Mãe de Deus. Não desprezeis as nossas súplicas em nossas necessidades, mas livrai-nos sempre de todos os perigos, ó Virgem gloriosa e bendita.
Consagração aos Corações de Jesus e Maria
Sagrado Coração de Jesus e Imaculado Coração de Maria, a Vós me consagro, assim como toda minha família. Consagro a Vós meu próprio ser, toda a minha vida, tudo o que sou, tudo o que tenho, e todos os que eu amo. A Vós dou o meu coração e minha alma, a Vós dedico meu lar e meu país, consciente de que, através desta Consagração eu, agora, prometo-Vos viver cristãmente praticando as virtudes da minha religião, sem me envergonhar de testemunhar a fé.
Ó Sacratíssimo Coração de Jesus e Imaculado Coração de Maria, aceitai esta humilde oferta de minha entrega, através desta Consagração. Minha esperança é colocada em Vós, com a certeza de que jamais serei confundido(a).
O jejum: penitência que ordena a alma
O jejum pertence à tradição penitencial da vida cristã porque ajuda a recordar uma verdade simples: nem todo desejo precisa ser imediatamente satisfeito. O Pe. João Baptista Reus apresenta a penitência como instrumento para vencer a desordem dos apetites, resistir às tentações, moderar a ira e outras paixões, buscar o perdão e alimentar a piedade.
Jejuar, portanto, não é odiar o corpo nem considerar mau o alimento. É aceitar voluntariamente uma privação legítima para que a vontade aprenda a governar os impulsos em vez de ser governada por eles. A fome sentida durante o jejum pode tornar-se um lembrete concreto: o homem não vive apenas do que satisfaz o corpo; precisa ordenar toda a vida para Deus.
A penitência exterior, porém, só alcança seu sentido cristão quando nasce de uma intenção reta. Reduzir a comida e continuar alimentando orgulho, impaciência, murmuração ou dureza com o próximo seria conservar a desordem principal. O jejum deve favorecer a oração, o domínio de si, o arrependimento e uma disposição mais pronta para cumprir os deveres.
Por isso, o verdadeiro fruto do jejum não é poder dizer que suportamos uma privação difícil. É chegar ao fim dele com a vontade um pouco mais livre para escolher o bem.
Jejum, caridade e obras de misericórdia
No mesmo manual, a penitência aparece diretamente ligada às obras de piedade e de caridade. Essa união é importante: aquilo de que abrimos mão não deve fechar-nos ainda mais em nós mesmos. A renúncia exterior deve alargar o coração.
A tradição enumera obras de misericórdia corporais, como alimentar quem tem fome, dar de beber a quem tem sede, vestir quem necessita, acolher, visitar os enfermos e socorrer os que sofrem. Recorda também as obras espirituais: aconselhar, ensinar, corrigir com prudência, consolar os aflitos, perdoar as injúrias, suportar com paciência as fraquezas do próximo e rezar pelos vivos e pelos mortos.
Dessa maneira, o jejum pode transformar-se em caridade concreta. A economia feita numa refeição pode converter-se em esmola; o tempo retirado de uma distração pode tornar-se visita, serviço ou oração; a renúncia a uma comodidade pode ajudar-nos a perceber melhor a necessidade alheia.
A penitência cristã não termina, portanto, naquilo que deixamos de fazer ou consumir. Ela procura abrir espaço para algo melhor: mais oração, mais misericórdia, mais atenção ao próximo e maior liberdade diante dos próprios desejos.
Como viver o jejum com espírito cristão
Para viver bem um jejum, convém começar por um propósito claro. Não basta escolher uma privação; é preciso saber por que ela está sendo oferecida. Pode ser em reparação pelos próprios pecados, por uma intenção particular, pela conversão de alguém, pela Igreja, pela família ou simplesmente para crescer no domínio de si e na fidelidade a Deus.
Durante o jejum, as dificuldades tornam visível aquilo que normalmente permanece escondido. A impaciência, a busca de conforto, a ansiedade ou a irritação podem aparecer com maior força. Em vez de considerar isso um fracasso, a alma pode usar esse conhecimento para combater de modo mais concreto. A penitência revela onde ainda somos pouco livres.
Convém unir o jejum à oração e, quando possível, a uma obra de misericórdia. Também é importante que a penitência não nos leve a abandonar deveres de estado nem a procurar admiração. O sacrifício mais fecundo é frequentemente aquele que permanece escondido e torna a pessoa mais fiel, mais serena e mais caridosa.
As normas concretas de jejum e abstinência pertencem à disciplina da Igreja e devem ser observadas segundo a norma vigente. Estas páginas apresentam sobretudo o sentido espiritual da penitência: renunciar para amar melhor, dominar-se para servir melhor e esvaziar-se do supérfluo para dar mais espaço a Deus.
Fonte-base editorial: Pe. João Baptista Reus, manual de orações e instruções religiosas, especialmente as páginas dedicadas à penitência, ao jejum e às obras de misericórdia. Foram aproveitados os princípios espirituais; prescrições disciplinares datadas da edição antiga não foram reproduzidas.
O Sacramento da Penitência
O que é examinar a consciência?
Apresentação Todo exame de consciência pressupõe uma pergunta anterior: o que é, afinal, a consciência que examinamos? Santo Tomás de Aquino ensina que, no íntimo da alma humana, habita a sinderese (synderesis), disposição natural e indelével pela qual todo homem conhece, ainda que de modo geral, os primeiros princípios do agir moral — fazer o bem e evitar o mal (Suma Teológica, I, q. 79, a. 12). A consciência propriamente dita (conscientia) é o ato pelo qual aplicamos esse conhecimento universal a uma ação concreta, própria, passada, presente ou futura, para dela emitir um juízo: isto foi bem feito, isto foi pecado (Suma Teológica, I, q. 79, a. 13). Examinar a consciência é, portanto, exercitar esse juízo com honestidade, à luz de uma regra que não inventamos e à qual, no fundo, todos já estamos submetidos. Essa regra objetiva é a lei de Deus. Os Dez Mandamentos, ensina Santo Tomás, não são um código arbitrário imposto de fora, mas a expressão, formulada de modo acessível a todos, daquilo que a própria razão reta — quando não obscurecida pela paixão ou pelo hábito do pecado — já é capaz de reconhecer como bem ou como mal (Suma Teológica, I-II, q. 94, a. 4; q. 100, a. 1). Por isso o presente exame se organiza a partir deles: não para impor uma lista externa de proibições, mas para ajudar cada leitor a identificar, em situações concretas da vida cotidiana — na família, no trabalho, no modo de falar, de amar, de possuir —, aquilo que sua própria consciência, bem formada, já está em condições de reconhecer.
Pecado, contrição e confissão íntegra
Convém lembrar também o que é o pecado que aqui se busca identificar. Recolhendo a definição clássica de Santo Agostinho, Santo Tomás define o pecado como “palavra, obra ou desejo contrário à lei eterna” (dictum vel factum vel concupitum contra legem æternam) — isto é, todo afastamento livre e consciente daquilo que Deus, em sua sabedoria e amor, dispôs para o verdadeiro bem do homem (Suma Teológica, I-II, q. 71, a. 6). Reconhecer o pecado, à luz dessa definição, não é exercício de escrúpulo nem de autoflagelação, mas ato de verdade: olhar para si mesmo como se é, diante de Deus que já nos ama e deseja nos restituir à comunhão com Ele. É nesse ponto que o exame de consciência se ordena, por fim, à contrição e à confissão íntegra. Para Santo Tomás, a contrição é a dor pelo pecado cometido, assumida com o propósito de confessá-lo e de por ele reparar (Suma Teológica, Suplemento, q. 1, a. 1 ; Parte III, q. 85, a. 1); e a confissão, para ser válida, deve ser íntegra: o penitente acusa-se de seus pecados mortais segundo a espécie e o número de vezes que os cometeu, sem ocultação deliberada (Suma Teológica, Suplemento, q. 6, a. 1; q. 9, aa. 1-4). É exatamente isso que este pequeno manual busca facilitar, mandamento por mandamento, para que a confissão sacramental — “segunda tábua de salvação depois do naufrágio da graça perdida”, como recorda o Concílio de Trento — seja feita com verdade: sem a laxidão que minimiza a gravidade do mal, mas também sem o desespero que a própria fé condena, pois a esperança na misericórdia de Deus é, ela mesma, parte do caminho que nos conduz de volta a Ele.
Que este exame sirva, então, não como instrumento de angústia, mas como caminho de verdade e de paz: aquele pelo qual a alma, reconhecendo humildemente as próprias faltas, se dispõe a receber de Deus o perdão que Ele, antes de tudo, deseja conceder. Paulo Henrique
Para uma Boa Confissão
Esse exame de consciência tem como objetivo ajudar os fiéis a fazer uma boa confissão. Ele é indicado para adultos (a partir de 14 anos, aproximadamente), contendo pecados específicos contra o 6º e 9º mandamentos. Ele não contém todos os pecados possíveis, como é evidente, mas serve como um guia para ajudar a esclarecer a consciência, a partir das leis objetivas da moral. Além disso, os pecados mencionados não têm necessariamente a mesma gravidade. Alguns são por si veniais, outros mortais, outros podem ser veniais ou mortais, conforme o caso. Por exemplo, um furto pode ser um pecado mortal ou venial, dependendo da quantia furtada. Note -se que não estão incluídos aqui os pecados e deveres próprios de cada profissão, como médico, advogado, comerciante, etc. É preciso lembrar- se deles ao fazer o exame de consciência.
Para uma Boa Confissão
Fazer um bom exame de consciência, pedindo a Deus a graça de conhecer os próprios pecados e de se arrepender deles.
Arrepender-se dos pecados, reconhecendo a ofensa causada a Deus, o mal para si mesmo e detestando os pecados.
Firme propósito de não mais tornar a pecar.
Confissão com acusação íntegra dos pecados, dizendo todos os pecados mortais, sua espécie e quantas vezes foram cometidos. A ocultação deliberada de um pecado mortal torna inválida a confissão.
Aceitação da penitência.
Oração para antes do exame de consciência
Senhor Deus onipotente, prostrado humildemente diante da vossa divina majestade, vos rendo infinitas graças por todos os benefícios que de vossa inefável bondade tenho recebido, e em particular por me terdes criado, conservado, remido e cumulado de tantos bens e mercês, muitos dos quais eu ignoro.
Rogo-vos, Senhor, humildemente, que vos digneis conceder-me luz abundante para conhecer todas as faltas e pecados, com que vos tenho ofendido, e graça eficaz para me arrepender e me emendar.
(Manual da Paróquia, 1942, p. 87)
Antes dos Mandamentos
- Há quanto tempo você fez sua última confissão?
- Você recebeu absolvição?
- Você cumpriu sua penitência?
- Você deliberadamente ocultou um pecado mortal, ou confessou sem arrependimento verdadeiro, ou sem um firme propósito de correção, ou sem a intenção de cumprir sua penitência?
- Você, após essa má confissão, recebeu a Santa Comunhão em estado de pecado mortal?
- Quantas dessas Confissões e Comunhões sacrílegas você fez?
- Você, em estado de pecado mortal, recebeu qualquer outro Sacramento?
Exame de Consciência — I Mandamento
I Mandamento: EU SOU O SENHOR TEU DEUS, NÃO TERÁS OUTRO DEUS DIANTE DE MIM
Os pecados contra o primeiro mandamento são os
seguintes:
- Negligência na oração (distrações voluntárias, poucas orações)
- Ficar mais de um mês sem rezar
- Ingratidão para com Deus
- Preguiça espiritual
- Ódio a Deus ou à Igreja Católica
- Tentar a Deus (explicitamente ou implicitamente, por exemplo, expondo-se a um perigo para alma, para a vida ou para a saúde sem causa grave)
- Não se comportar adequadamente em uma Igreja (por exemplo, não fazer a genuflexão para o Santíssimo Sacramento ao entrar ou sair de uma Igreja, etc.)
- Excessivo apego a coisas/criaturas (por exemplo, afeição exagerada a animais, fanáticos por esportes, ter ídolos de TV, música, cinema, amor pelo dinheiro, prazer ou poder)
- Idolatria (adorar falsos deuses bem como honrar uma criatura no lugar de Deus: como Satanás, a ciência, os ancestrais, o país)
- Superstição (atribuição de poderes a uma coisa criada que não os possui. Muitas vezes, por ignorância das pessoas, não passa de pecado venial)
- Hipnotismo (sem causa grave)
- Adivinhação (comunicação com Satanás, demônios, mortos ou outras práticas falsas para descobrir o desconhecido, consultar horóscopos, astrologia, leitura da mão, ver a sorte, etc.)
- Atribuição de importância indevida aos sonhos, presságios, destino.
- Todas as práticas de magia (branca ou negra) ou feitiçaria (por exemplo, bruxaria, vodu)
- Usar amuletos
- Jogar com quadros Ouija ou mesas giratórias
- Espiritismo (falar com os espíritos)
- Sacrilégio (profanar ou tratar indignamente os sacramentos, particularmente a Santa Eucaristia, bem como as demais ações litúrgicas, profanar ou tratar indignamente pessoas religiosas, coisas santas, como os vasos sagrados ou estátuas, ou ainda lugares consagrados a Deus)
- Sacrilégio ao receber um sacramento, especialmente a Santa Eucaristia, em estado de pecado mortal
- Simonia (comprar ou vender coisas espirituais)
- Uso profano ou supersticioso de objetos abençoados (às vezes para se manter no pecado)
- Materialismo prático (acreditar que se precisa somente de coisas materiais e desejar somente a elas)
- Humanismo ateu (que considera falsamente que o homem é um fim em si mesmo, e com supremo controle sobre sua própria história, ou completamente autônomo)
- Ateísmo em geral (rejeita, nega e duvida da existência de Deus, seja em teoria ou na prática, isto é, ignorando-O na vida diária)
- Agnosticismo (que postula a existência de um ser transcendental que é incapaz de se revelar, e sobre quem nada pode ser dito; ou não fazer nenhum julgamento sobre a existência de Deus, declarando ser impossível prová-la ou mesmo de afirmá-la ou negá-la)
Pecados contra a fé
- Dúvida voluntária de algum artigo da fé
- Ignorância deliberada das verdades da fé que devem ser conhecidas
- Falar contra uma doutrina da Igreja Católica
- Negligência em se instruir na fé segundo o próprio estado
- Credulidade imprudente (como dar crédito a revelações privadas muito facilmente ou acreditar em revelações privadas que foram condenadas pelas autoridades legítimas da Igreja)
- Apostasia (abandono completo da fé)
- Heresia (negar uma ou mais verdades da fé)
- Indiferentismo (acreditar que uma religião é tão boa quanto as demais, e que todas as religiões são igualmente verdadeiras e agradáveis a Deus, ou que se é livre para aceitar ou rejeitar uma ou todas as religiões)
- Ler ou fazer circular livros ou escritos contrários à crença ou à prática Católica de tal modo que a fé, própria ou alheia, é comprometida
- Ouvir música cuja letra é contrária à religião católica
- Permanecer em silêncio quando questionado sobre a própria fé (é pecado grave, se se trata da autoridade legítima que questiona)
- Tomar parte em um culto herético ou cismático
- Ouvir a pregação de um ministro de falsa religião
- Aderir ou apoiar grupos maçônicos ou outras sociedades proibidas (teosofia, rosa cruz, etc.. lembrar também que Rotary e Lion's são a porta para a maçonaria)
Pecados contra a esperança
- Desespero da misericórdia de Deus (desistir de toda esperança de salvação e dos meios necessários para ser salvo, a não ser confundido com mero sentimento de desânimo)
- Falta de confiança no poder de Sua Graça para apoiar-nos nos apuros ou na tentação
- Não recorrer a Deus e aos santos nos momentos de tentação
- Nenhum desejo de possuir a felicidade eterna no paraíso ou após a vida terrena
- Presunção (esperar pela salvação sem ajuda de Deus ou pressupor o perdão de Deus sem conversão ou esperar obter a glória do paraíso sem mérito)
- Presunção da misericórdia de Deus ou na suposta eficácia de certas práticas de piedade para continuar no pecado
- Recusa de qualquer dependência de Deus
Pecados contra a Caridade
- Não fazer um ato de caridade em intervalos regulares durante a vida, particularmente em momentos de necessidade
- Egoísmo (alguém se preocupa somente consigo mesmo, elogia-se, é interesseiro, gosta de receber elogios)
- Pensamentos deliberadamente revoltosos contra Deus
- Jactância, orgulho do próprio pecado ou alardear o próprio pecado
- Violar a lei de Deus ou omitir boas obras por respeito humano
- Impaciência diante das adversidades e provações
II Mandamento
II Mandamento: NÃO TOMARÁS O NOME DO SENHOR TEU DEUS EM VÃO Pecados contra o segundo mandamento
- Desonra de Deus por uso profano ou desrespeitoso de seu Nome, ou do Santo Nome de Jesus Cristo, da Santíssima Virgem Maria e de todos os santos
- Blasfêmia (insultar a Deus, Nosso Senhor Jesus Cristo, a Igreja Católica, a Santíssima Virgem Maria ou os santos por palavras ou gestos)
- Ouvir músicas blasfemas
- Perjúrio (prometer algo sob juramento sem ter a intenção de cumpri -lo, ou quebrar uma promessa feita sob juramento. Grave ou não dependendo da gravidade do perjúrio)
- Fazer juramentos falsos ou desnecessários (chamar a Deus como testemunha a uma mentira. Grave ou não, dependendo da gravidade do que se jura falsamente)
- Amaldiçoar a si mesmo ou a outros (se tiver intenção de dizer realmente o que disse, há pecado grave).
- Murmurar, reclamando das disposições da providência divina
- Quebrar votos ou promessas feitas a Deus (pode ser grave, dependendo da importância do voto ou promessa)
- Irreverência na Igreja, falando durante a Missa ou em uma Igreja sem razão suficiente ou distrair os demais; vestindo-se de forma inapropriada na Igreja ou por qualquer outro comportamento impróprio
III Mandamento
III Mandamento: LEMBRA-TE QUE DEVES SANTIFICAR O DIA DO SENHOR Pecados contra o terceiro mandamento
- Omissão da oração e do culto divino; todo trabalho servil desnecessário e tudo que impede a santificação do dia do Senhor
- Comércio desnecessário, isto é, comprar e vender nos Domingos e Dias de Guarda
- Profanar estes dias, por frequentar companhia impiedosa, com diversões pecaminosas, jogos de azar, dança indecente, ou excessos com bebida
IV Mandamento
IV Mandamento: HONRA TEU PAI E TUA MÃE Pecados contra o quarto mandamento Para os pais
- Odiar os filhos
- Amaldiçoar os filhos
- Dar escândalo a eles ao praguejar, beber, etc.
- Deixar que cresçam na ignorância, indolência ou pecado
- Demonstrar parcialidade habitual para com os filhos sem causa
- Adiar o batismo de uma criança (mais de um mês, é considerado, em geral, pecado mortal)
- Negligência no cuidado da saúde corporal, instrução religiosa, quanto às companhias com que andam, aos livros que lêem, diversões, etc.
- Não corrigir quando necessitam
- Ser duro ou cruel nas correções
- Enviar os filhos para escolas protestantes ou outras escolas perigosas (esotéricas, de outra religião)
- Negligência em conduzi-los à Missa aos Domingos e Dias Santos de Guarda e na recepção dos sacramentos
Para as crianças
- Toda forma de raiva ou aversão contra os pais e demais superiores legítimos
- Desdenhar os pais
- Desejar algum mal a eles
- Ameaçá-los ou levantar a mão contra eles
- Afligir os pais por ingratidão ou má conduta
- Provocá-los à raiva
- Ofendê-los
- Insultá-los
- Não ajudá-los em suas necessidades
- Desprezo ou desobediência às suas ordens legítimas (sobretudo quanto às más companhias e diversões e quanto aos deveres de estado, como estudo)
Maridos e esposas
- Maltrato (isto é, tratar o cônjuge sem consideração pelo bem-estar dele e sem preocupação com a caridade)
- Colocar obstáculos ao cumprimento de seus deveres religiosos
- Negar-se a render o débito conjugal sem ter causa realmente justa para tanto
- Falta de paciência quanto às faltas um do outro ou dureza quanto a elas
- Ciúmes despropositados
- Negligência nos deveres domésticos
- Mau humor, aborrecimento sem motivo
- Palavras injuriosas
- Negligências na busca de meios seguros de sustento da família por causa de preguiça ou timidez
Súditos da Igreja e do Estado
- Desrespeitar e desobedecer os superiores espirituais, como o Papa, os bispos e os padres da Igreja em suas ordens legítimas; comportar -se de maneira soberba e insultante em relação a eles; recusar a rezar por eles, ou pela conversão deles.
- Deixar de rezar pelo próprio país, pelo seu governo;
- colocar o país acima de Deus;
- tomar parte em questões subversivas (atividades revolucionárias);
- juntar-se a alguma associação Comunista ou Liberal;
- resistir às autoridades legais do país, tomando parte em alguma violência de multidão, ou perturbando a paz pública;
- votar em partidos comunistas ou socialistas.
Para os empregadores
- Não permitir aos empregados tempo razoável para o cumprimento dos deveres e instrução religiosa
- Dar mau exemplo a eles ou permitir que outros o façam
- Não pagar os salários legais
- Não cuidar deles na doença
- Demiti-los arbitrariamente sem causa
- Imposição de políticas desproporcionadas
Para os empregados
- Desrespeito aos empregadores
- Falta de obediência em matéria que se tenha obrigado a obedecer (por exemplo, cumprindo um contrato justo)
- Perda de tempo (sobretudo com internet)
- Negligência no trabalho
- Gasto de propriedade do empregador por desonestidade, por falta de cuidado ou por negligência
- Violar políticas do local de trabalho sem razão suficiente
Para profissionais ou servidores públicos
- Falta de conhecimento culpável no que se refere aos deveres do ofício ou profissão
- Negligência na execução de tais deveres
- Injustiça ou parcialidade
Para os professores
- Negligência no progresso daqueles confiados ao seu cuidado
- Punição injusta, inconsiderada ou excessiva
- Parcialidade
- Mau exemplo
- Ensino de máximas falsas ou incertas (ensinar coisas falsas como verdadeiras)
Para os estudantes
- Desrespeito
- Desobediência
- Teimosia
- Indolência, preguiça
- Perda de tempo
- Dar-se a distrações inúteis (festas e recreações indevidas, internet, televisão)
Para todos
- Desprezo das leis justas do Estado e do país bem como da Igreja
- Desobediência à autoridade legítima
- Desobediência das leis civis
V Mandamento
V Mandamento: NÃO MATARÁS Pecados contra o quinto mandamento
- Causar morte ou lesão física de alguém por ação própria, participação, instigação, conselho, consentimento ou silêncio
- Ter a intenção de matar alguém
- Assassinato
- Realizar um aborto
- Abortar, ajudar alguém a procurar um aborto (o penitente deve estar ciente que abortar, praticar ou ajudar em um aborto incorre em excomunhão, se o aborto se consumar)
- Eutanásia
- Retirar os meios ordinários para um paciente terminal ou moribundo
- Suicídio
- Tentativa de suicídio, sérios pensamentos de cometer suicídio
- Brigar
- Rixas
- Ódio
- Desejo de vingança
- Tortura humana
- Gula (beber ou comer em excesso)
- Embriaguez (em que grau?)
- Abuso de álcool, medicamentos ou drogas
- Colocar em perigo a vida de outros (como beber e dirigir, dirigir muito rápido, etc.)
- Colocar em risco a própria vida ou um membro do corpo sem uma razão suficiente (por exemplo, acrobacias arriscadas, roleta russa, etc.)
- Descuido em deixar expostos venenos, drogas perigosas, armas, etc.
- Mutilação do corpo, (como castração, por exemplo).
- Vasectomia, ligadura ou outro procedimento para evitar os filhos (apesar da prática muito generalizada, mesmo entre católicos, trata-se de pecado mortal, ainda que haja motivos legítimos para evitar os filhos. É preciso buscar a reversão da cirurgia, se ainda existe a possibilidade de fertilidade)
- Histerectomia (sem causa médica suficiente)
- Inseminação artificial ou fertilização in vitro ou algo semelhante (apesar da prática muito generalizada, mesmo entre católicos, trata-se de pecado mortal)
- Pesquisas científicas imorais e suas aplicações
- Mau exemplo ou escândalo, levando outros a pecar
- Desrespeito pelos moribundos ou pelos mortos
- Não tentar evitar a guerra
- Mostrar aversão ou desprezo pelos outros
- Recusar falar com outros quando cumprimentado
- Ignorar ofertas de reconciliação, especialmente entre parentes
- Fomentar um espírito que não perdoa o próximo
- Zombaria e escárnio
- Insultos
- Ações ou palavras irritantes
- Tristeza pela prosperidade alheia
- Alegrar-se pela miséria alheia
- Inveja pela atenção dada aos outros
- Comportamento tirânico
- Induzir os outros ao pecado pela palavra ou pelo exemplo
- Prejudicar a saúde pelo excesso de indulgência
- Dar álcool aos outros sabendo que irão abusar dele
- Vício em jogos de azar (coloca em perigo o sustento próprio ou da família?)
- Tomar contraceptivos que podem ou não ser abortivos (pílulas e outros: apesar da prática generalizada mesmo entre católicos, trata-se de pecado mortal, ainda que haja motivos legítimos para evitar os filhos)
- Uso de métodos profiláticos ou de barreira para evitar a gravidez (mesma observação do pecado precedente)
- Utilizar métodos naturais para evitar filhos possuindo uma mentalidade contraceptiva
- Esterilização direta (vide vasectomia, ligadura de trompas e outros métodos anticoncepcionais)
- Causar morte ou sofrimento desnecessário aos animais
VI Mandamento
VI Mandamento: NÃO COMETERÁS ADULTÉRIO
Mencionar as circunstâncias que mudam a natureza do pecado: o sexo da outra pessoa, o parentesco, o estado (próprio e do outro) de casado, solteiro ou vinculado a um voto;
Pecados contra o sexto mandamento:
- Impureza e imodéstia nas palavras, nos olhares e nas ações, seja sozinho ou com outros
- Contar ou ouvir piadas sujas; falar ou ouvir (consentindo) coisas indecentes, ou com duplo sentido
- Vangloriar-se da própria imoralidade
- Utilizar roupas imodestas (minissaias, calças apertadas, decotes arrojados, blusas e saias transparentes, biquínis, etc.)
- Comprar, alugar ou assistir filmes, programas de TV ou ler livros, revistas ou outras coisas indecentes (não somente pornografia, mas também tudo que contenha impurezas, o que é generalizado hoje)
- Expor-se voluntariamente a ocasiões de pecado por curiosidade pecaminosa, por manter companhia perigosa, por frequentar locais perigosos, diversões perigosas ou pecaminosas; por danças indecentes (quase todas as modernas) ou jogos indecentes; por familiaridade indevida com pessoas do sexo oposto
- Manter companhia pecaminosa, ou morar com alguém que não é o cônjuge
- Ser tentação nessa matéria para os outros, pelo modo de falar, de se comportar, de se vestir, ou insinuando-se
- Ouvir música cuja letra é indecente ou cujo ritmo favoreça a sensualidade
- Masturbação (é habitual?)
- Fornicação (sexo antes do casamento)
- Prostituição
- Sodomia (práticas homossexuais)
- Outras práticas contrárias à natureza
- Adultério (também em pensamentos)
- Divórcio
- Poligamia
- Incesto
- Abuso sexual
- Estupro
- Beijo sensual, prolongado
- Carícias ou preliminares fora do contexto do matrimônio ou dentro do contexto do matrimônio sem serem ordenadas à consumação do ato conjugal natural, com perigo de polução
- Ato conjugal consumado de modo inapto à procriação
- Negar o débito conjugal sem razão realmente legítima para tanto
- Danças imodestas
- Namoro sem tomar as devidas precauções para guardar a pureza e a fé
- Namoro quando não deveria, sem a maturidade suficiente, sem intenção de casar-se
VII Mandamento
VII Mandamento: NÃO ROUBARÁS
Quanto aos pecados contra a justiça, é preciso dizer ao sacerdote — o mais exatamente possível — o valor do que foi furtado/roubado, ou a quantidade dos danos causados pela sua injustiça, de modo que o padre possa julgar se os pecados são mortais ou não. Dizer se já restituiu. Sem a restituição ou o firme propósito de fazê-la, o pecado não será perdoado.
Pecados contra o sétimo mandamento:
- Roubo (quanto?)
- Pequenos furtos (por exemplo, tomar coisas do lugar de trabalhos às quais não se tem direito ou tomar dinheiro de um membro da família sem sua permissão)
- Trapacear
- Plágio
- Quebra de regulamentação de direito autoral (por exemplo, fotocopiar algo sem autorização e sem ter causa suficientemente séria para tanto ou com fins comerciais)
- Manter consigo objetos emprestados ou perdidos sem fazer uma tentativa razoável de restituir a propriedade alheia
- Possessão de bens ilícitos
- Aconselhar ou pedir a alguém que prejudique outra pessoa ou danifique seus bens
- Danificar por descuido ou malícia a propriedade alheia
- Ocultação de fraude, roubo ou dano quando se tem dever de dar a informação
- Sonegação de impostos ao não pagar os impostos justos
- Fraude comercial
- Desonestidade na política, nos negócios, etc.
- Não pagar dívidas justas no tempo correto e não fazer os esforços e sacrifícios necessários nesse sentido, por exemplo, juntando gradualmente a quantia devida
- Não fazer a reparação ou compensação a alguém que esteja sofrendo por danos injustos
- Aumentar os preços tirando proveito da ignorância ou necessidade alheia
- Usura (emprestar dinheiro a altos juros a alguém em dificuldade financeira)
- Especulação na qual alguém planeja manipular artificialmente o preço dos bens para levar vantagem com prejuízo dos demais
- Corrupção na qual alguém influencia o julgamento daqueles que devem decidir em questões legais
- Aceitar suborno ou oferecer suborno
- Apropriação e uso de bens comuns de uma empresa para propósitos privados
- Trabalho mal feito
- Pagar salários injustos ou desprover um empregado de benefícios devidos
- Falsificação de cheques e faturas
- Emitir cheques sabendo que não há fundo suficiente para cobri-lo
- Despesas e gastos excessivos
- Não manter promessas ou acordos contratuais (sendo os compromissos moralmente justos)
- Jogar e apostar (privando-se dos meios necessários de vida para si ou para outros)
- Gasto excessivo ou desnecessário de bens, recursos, dinheiro ou fundos Examine se você reparou toda a injustiça feita por você mesmo. Seus pecados não serão perdoados enquanto você recusar ou deliberadamente negligenciar fazer um reparo. Se o que você adquiriu injustamente não está mais em sua possessão, devolva o seu valor. Se não puder devolver o valor inteiro, devolva pelo menos uma parte sem atraso. Se não puder devolver de uma vez, você deve ter a firme e sincera resolução de fazê-lo o mais breve possível e deve também procurar seriamente adquirir o meio de fazê-lo. A obrigação de restituição é compulsória até que seja totalmente exonerada. A restituição deve ser feita ao dono. Se o dono não puder ser achado, você deve dar o dinheiro aos pobres, à Igreja, ou a alguma obra de caridade.
VIII Mandamento
VIII Mandamento: NÃO DARÁS FALSO TESTEMUNHO CONTRA O TEU PRÓXIMO Pecados contra o oitavo mandamento
- Mentir (a mentira chegou a prejudicar alguém, gravemente ou não?)
- Dizer palavrões, grosserias
- Vangloriar-se
- Lisonja (bazófia)
- Hipocrisia
- Exagero
- Ironia
- Sarcasmo
- Dano injusto (sem ter justa causa) ao nome alheio seja pela revelação de faltas verdadeiras escondidas (detração); revelação de falsos defeitos (calúnia ou difamação); contando histórias ou espalhando rumores. (É preciso restituir a boa fama que foi injustamente prejudicada)
- Criticar os outros, escutar com prazer os outros sendo criticados;
- Fazer fofocas
- Desonrar injustamente outra pessoa em sua presença (injúria)
- Julgamento precipitado (acreditar firmemente, sem razão suficiente, que alguém possui um defeito moral ou fez algo errado)
- Revelar segredos
- Publicar (sem causa proporcionalmente grave) segredos que causem descrédito aos outros, mesmo se for verdade
- Recusar ou demorar em restituir o bom nome que foi manchado
- Acusações sem fundamento
- Suspeitas infundadas
- Julgamentos precipitados sobre os outros em nossa própria mente
IX Mandamento
IX Mandamento: NÃO COBIÇARÁS A MULHER DO PRÓXIMO
O nono mandamento proíbe todo pensamento e desejo impuro com os quais nos comprazemos deliberadamente, pensando neles voluntariamente ou consentindo neles de bom grado quando tais paixões ou pensamentos impuros vêm à nossa mente. O penitente deve ter em mente que se deleitar deliberadamente ou consentir em qualquer pecado listado no sexto mandamento pode ter o mesmo grau de gravidade de executá-lo de fato, isto é, trata -se de pecado mortal ou venial, segundo o pecado e conforme haja plena advertência e pleno consentimento.
X Mandamento
X Mandamento: NÃO COBIÇARÁS OS BENS DE TEU PRÓXIMO Pecados contra o décimo mandamento
- Inveja (desejar os bens de outrem)
- Ciúmes (zelo para manter um bem querido longe dos outros)
- Ganância e o desejo sem limites de ter bens materiais (avareza)
- Desejo de enriquecer a qualquer preço
- Negócios ou profissões que esperam circunstâncias desfavoráveis aos outros para que possam assim lucrar pessoalmente com isso
- Inveja dos sucessos, talentos, bens espirituais ou temporais alheios
- Desejar cometer injustiça prejudicando alguém para obter seus bens temporais
- Alegrar-se ou consentir nos pecados contra o sétimo mandamento.
Os Preceitos da Santa Igreja
Além dos Dez Mandamentos da Lei de Deus, os fiéis são
também obrigados a seguir os Preceitos da Igreja. O poder de fazer estas leis vem de Nosso Senhor Jesus Cristo, e inclui tudo o que é necessário para o governo da Igreja e para a direção dos fiéis, a fim de que alcancem a salvação eterna.
Primeiro Preceito: ASSISTIR À SANTA MISSA TODOS OS DOMINGOS E DIAS SANTOS DE GUARDA
São nove os dias de preceito no Brasil, já que a São José (19 de março) não o é. Muitos desses dias são transferidos para o Domingo seguinte, pelo fato de não haver feriado civil.
- Natal do Senhor (25 de dezembro)
- Circuncisão do Senhor (1º de janeiro)
- Epifania (6 de Janeiro. No Brasil, transferido para o Domingo seguinte)
- Ascensão (quarenta dias depois da Páscoa. No Brasil, transferido para o Domingo seguinte.)
- Corpus Christi (Quinta -feira depois do Domingo da Santíssima Trindade.)
- Santos Apóstolos Pedro e Paulo (29 de junho. No Brasil, transferido para o Domingo seguinte)
- A Assunção da Santíssima Virgem (15 de agosto. No Brasil, transferido para o Domingo seguinte.)
- Todos os Santos (1º de novembro. No Brasil, transferido para o Domingo seguinte.)
- Imaculada Conceição da Santíssima Virgem (08 de dezembro) A Santa Igreja nos obriga a nos abster de todo trabalho servil nos Dias Santos de Guarda, como nos Domingos, na medida do possível. Os católicos que devem trabalhar nos Dias Santos de Guarda são obrigados a assistir a Santa Missa a não ser que sejam escusados por uma causa proporcionalmente grave. Esse preceito pode ser violado ao não assistir a Missa nos dias prescritos ou ao se chegar atrasado à Missa sem razão suficiente. Dependendo da qualidade e da quantidade do atraso, pode ser pecado leve ou grave.
Segundo Preceito: JEJUAR, ABSTER-SE DE CARNE E FAZER PENITÊNCIA NOS DIAS PRESCRITOS
A lei da abstinência obriga aqueles que completaram 14 anos de idade até o fim da vida. A lei do jejum obriga aqueles que atingiram sua maioridade (18 anos) até o início de seus 60 anos.
Jejuar significa comer menos comida do que normalmente se come. Nos dias de jejum, é permitido comer uma refeição completa e duas outras menores que, juntas, não passem a quantidade de uma refeição completa. Os dias de jejum são a Quarta-feira de Cinzas e a Sexta-feira Santa.
Nos dias de abstinência, é proibido comer carne. Os dias de abstinência são: todas as sextas -feiras do ano e a quarta -feira de cinzas. No Brasil, a abstinência pode ser comutada (salvo na quarta-feira de cinzas e na sexta-feira santa) por outras formas de penitência, principalmente em obras de caridade e exercícios de piedade. Uma penitência substituta permitida poderia ser: dizer um terço, a Via Sacra, visitar os doentes ou presos, etc. O mais aconselhável é guardar a tradicional abstinência.
Terceiro Preceito: CONFISSÃO DOS PECADOS MORTAIS AO MENOS UMA VEZ POR ANO
A Santa Igreja insta-nos a confessar-nos freqüentemente, mas nos obriga a fazê-lo somente uma vez por ano para admoestar aqueles que possam ter a presunção da misericórdia de Deus, o que é um pecado contra o Espírito Santo. Os pais devem preparar seus filhos para a confissão tão logo a criança aprenda a distinguir o certo do errado (isto é, por volta dos sete anos de idade). A obrigação de se confessar uma vez por ano obriga somente àqueles que cometeram um pecado mortal e não se confessaram por pelo menos um ano.
Quarto Preceito: RECEBER A SANTA COMUNHÃO DURANTE O PERÍODO DA PÁSCOA
O período da Páscoa para a comunhão pascal começa na Quinta-feira Santa e termina no Primeiro Domingo depois de Pentecostes (Festa da Santíssima Trindade). Entretanto, após ter recebido a Primeira Comunhão, é fortemente recomendado que se receba este magno Sacramento freqüentemente durante a vida (mesmo diariamente, se possível, como recomendado pelo Papa São Pio X).
Quinto Preceito: CONTRIBUIR PARA O SUSTENTO DA IGREJA E DE SEUS MINISTROS
Este preceito requer que cada um preste auxílio às necessidades materiais da Igreja conforme suas possibilidades.
Sexto Preceito: OBSERVAR AS LEIS DA IGREJA NO QUE TANGE À CELEBRAÇÃO DO MATRIMÔNIO
Casei-me ou ajudei alguém a se casar, sem a permissão da Santa Igreja, diante de um oficial do Estado ou de um Ministro protestante ou acatólico? Ou sem a dispensa necessária para os graus de parentesco proibidos? Ou com qualquer outro impedimento conhecid o? Separou -se sem causa justa?
Separou-se e juntou-se com outra pessoa, em segunda união?
Oração para depois da confissão
(após sair do confessionário) Meu bom Jesus, quão bondoso sois! Oh! quem nunca vos ofendera! Apesar de ter sido tão ingrato para convosco, ainda me recebeis na vossa amizade. Podíeis ter me dado a morte, quando eu estava em pecado; podíeis ter me sepultado no inferno para castigar a minha ousadia em transgredir a vossa lei. Mas o vosso amor superou à minha ingratidão e trouxestes-me aos vossos pés para aí me pordes de novo em vossa graça e tranquilizardes o meu coração. Bendito sejais, ó meu Deus misericordioso!
Não permitais que eu perca de novo a graça recebida!
Antes morrer, que ofender-vos! Meu bom Jesus, minha Mãe Maria Santíssima, meu anjo da guarda, valei-me, para que não torne a pecar.
(Manual da Paróquia, 1942, p. 91)
Método de Confissão
Penitente. Abençoai-me, Padre, porque pequei.
LATIM PORTUGUÊS Sacerdote. Dominus sit in corde tuo et in labiis tuis, ut rite confiteartis omnia peccata tua.
In nomine Patris, et Filii, † et Spiritus Sancti.
Sacerdote. Que o Senhor esteja em teus lábios e em teu coração para que possas confessar bem todos os teus pecados. Em nome do Pai, e do Filho, † e do Espírito Santo.
P. Amen. P. Amém.
Penitente. Eu, pecador, confesso a Deus todo poderoso, à bem-aventurada sempre Virgem Maria, ao bem aventurado Miguel Arcanjo, ao bem -aventurado João Batista, aos Santos Apóstolos Pedro e Paulo, a todos os Santos, e a vós, Padre, que pequei muitas vezes por pensamentos palavras e obras, por minha culpa, minha culpa, minha máxima culpa. Portanto, peço e rogo à bem-aventurada sempre Virgem Maria, ao bem-aventurado Miguel Arcanjo, aos santos Apóstolos Pedro e Paulo, a todos os Santos, e a vós, Padre, que rogueis a Deus Nosso Senhor por mim.
Penitente. Minha última Confissão foi há … (dizer a
data da última confissão, ao menos aproximadamente.) Em seguida, o penitente se acusa de seus pecados, dizendo o tipo de pecado e as circunstâncias que podem mudar a espécie e se for grave, o número de ve zes que o cometeu.
Depois da confissão dos pecados, o penitente diz:
Acuso-me destes pecados, de todos os que não me lembro e de minha vida passada. Deles peço perdão a Deus, e a vós, Padre, a penitência e a absolvição.
O Sacerdote faz uma pequena prática, dá os conselhos necessários e exorta o penitente à contrição e à confiança na misericórdia divina. Após as palavras do Padre, o
penitente recita o ato de contrição:
Senhor meu Jesus Cristo, Deus e homem verdadeiro, Criador e Redentor meu, por serdes vós quem sois, sumamente bom e digno de ser amado sobre todas as coisas, e porque vos amo e vos estimo, pesa-me, Senhor, de todo o meu coração, de vos ter ofendido; e proponho firmemente, ajudado com os auxílios de vossa divina graça, emendar-me e nunca mais tornar a vos ofender;
espero alcançar de vossa infinita misericórdia o perdão de minhas culpas. Amém.
ou:
Meu Deus, porque sois infinitamente bom e amável, tenho muita pena por vos ter ofendido. Com a vossa graça, é o meu firme propósito não mais voltar a vos ofender.
Amém.
O sacerdote recita a fórmula de absolvição:
LATIM PORTUGUÊS MISEREATUR tui omnípotens Deus, et dimíssis peccátis tuis, perdúcat te ad vitam ætérnam.
Amen.
QUE deus todo poderoso tenha piedade de ti e te perdoe os pecados e leve à vida eterna.
Amém.
INDULGENTIAM, absolutiónem et remissiónem peccatórum QUE o Senhor todo poderoso e misericordioso te perdoe e te
tuórum tríbuat tibi omnípotens, et miséricors Dóminus. Amen.
absolva de todos os teus pecados. Amém.
DOMINUS noster Jesus Christus te absólvat: et ego auctoritáte ipsíus te absolvo ab omni vínculo excommunicatiónis, (suspensiónis,) et interdícti, in quantum possum, et tu índiges.
QUE Nosso Senhor Jesus Cristo te absolva e eu, por Sua autoridade, te absolvo de todo vínculo de excomunhão (suspensão) e interdito, enquanto posso e tu necessitas.
DEINDE ego te absolvo a peccátis tuis, in nómine Patris, et Fílii, † et Spíritus Sancti. Amen.
POR isso eu te absolvo dos teus pecados, em nome do Pai, † do Filho, e do Espírito Santo. Amém.
PASSIO Dómini nostri Jesu Christi, mérita beátæ Maríæ Vírginis, et ómnium Sanctórum, quidquid boni féceris, et mali sustinúeris, sint tibi in remissiónem peccatórum, augméntum grátiæ, et præmium vitæ ætérnæ. Amen.
QUE a Paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo, os méritos da bem - aventurada Virgem Maria, e de todos os santos te logrem, em tudo o que de bem praticares, e de mal suportares, a remissão dos pecados, um aumento de graça, e o prêmio da vida eterna.
Amém.
Sacerdote. Ide em paz.
Laus Deo Virginique Mariae
Notas e Referências
Esta edição preserva integralmente o texto tradicional do Exame de Consciência para Adultos (2013), acrescido de uma apresentação inédita. Seguem as fontes citadas ao longo do volume.
Fontes do texto original
- Jo 20, 22-23 (Evangelho de São João, citado na epígrafe).
- Concílio de Trento, Sessão XIV (25 de novembro de 1551), Doutrina sobre o Santíssimo Sacramento da Penitência — fonte da expressão “segunda tábua da salvação depois do naufrágio da graça perdida”.
- Manual da Paróquia (1942), p. 87 — Oração para antes do exame de consciência.
- Manual da Paróquia (1942), p. 91 — Oração para depois da confissão.
Referências da Apresentação (Paulo Henrique)
- Suma Teológica, I, q. 79, aa. 12-13 — sinderese e consciência.
- Suma Teológica, I-II, q. 71, a. 6 — definição do pecado.
- Suma Teológica, I-II, q. 94, a. 4; q. 100, a. 1 — lei natural e preceitos morais do Decálogo.
- Suma Teológica, Parte III, q. 85, a. 1 — a penitência e a contrição.
- Suma Teológica, Suplemento, q. 1, a. 1 — definição de contrição.
- Suma Teológica, Suplemento, q. 6, a. 1 — necessidade da confissão.
- Suma Teológica, Suplemento, q. 9, aa. 1-4 — integridade da confissão.
Meditação final
Chegar ao fim de um caminho espiritual não significa concluir a obra de Deus em nós. Significa olhar para trás, reconhecer as graças recebidas e perceber que a verdadeira peregrinação continua.
Ao longo destes dias, houve propósitos, renúncias, orações, quedas, recomeços, consolações e combates. Talvez algumas resoluções tenham sido cumpridas com fidelidade; outras, apenas em parte. Talvez certos defeitos tenham se tornado mais visíveis justamente porque a luz de Deus os alcançou com maior clareza.
Isso também é graça.
A vida espiritual não consiste em sair de um itinerário acreditando que já estamos prontos. Consiste em sair dele mais conscientes de quem somos diante de Deus, mais humildes diante das próprias fraquezas e mais decididos a permanecer na graça.
O maior perigo agora seria imaginar que tudo terminou.
Os bons hábitos precisam continuar. A oração precisa continuar. A vigilância precisa continuar. O combate contra o pecado precisa continuar. A Confissão, a Santa Missa, a caridade e o esforço pela virtude não pertencem apenas a um período determinado.
Aquilo que começou como propósito precisa tornar-se vida.
Talvez uma das maiores graças deste caminho tenha sido descobrir algum ponto concreto que precisa permanecer. Uma oração que antes não fazia parte da rotina. Uma renúncia que revelou um apego. Um perdão que começou a ser concedido. Um vício contra o qual finalmente se iniciou um combate sério. Uma atenção maior à família, aos pobres, à palavra, ao olhar ou aos deveres cotidianos.
Não queira conservar tudo de uma vez se isso significar abandonar tudo depois. Escolha com prudência aquilo que realmente deve permanecer e seja fiel.
A virtude cresce pela perseverança.
Nossa Senhora ensina isso de modo admirável. Seu “faça-se” não foi pronunciado apenas na Anunciação. Foi vivido todos os dias. São José também não realizou sua missão em um único grande ato, mas em anos de fidelidade escondida. E São Miguel Arcanjo continua a recordar-nos a ordem fundamental de toda vida espiritual:
Quem como Deus?
Como foi minha caminhada?
Ao rever estes quarenta dias, não procure apenas recordar o que sentiu. Procure reconhecer o que mudou concretamente. O exame particular recomendado pela tradição espiritual pergunta onde fomos fiéis, onde caímos, quais ocasiões favoreceram o bem e quais nos conduziram novamente às mesmas faltas.
Considere com calma: qual propósito produziu fruto mais claro? Qual dificuldade apareceu repetidamente? Que oração precisa permanecer na sua rotina? Que hábito ainda exige vigilância? Há alguma ofensa que precisa ser reparada, algum perdão que ainda precisa ser concedido ou algum pecado que deve ser levado com sinceridade à Confissão?
Não transforme este balanço em ocasião de desânimo. A verdade sobre as próprias fraquezas deve conduzir à humildade, ao arrependimento e a um propósito possível. Escolha aquilo que precisa continuar depois do itinerário e escreva abaixo de modo concreto.
A caminhada termina; o combate cristão continua. Peça a São Miguel Arcanjo a graça de guardar as resoluções que aproximam de Deus e a prontidão de recomeçar sempre que cair.
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- Quaresma: 15 de agosto a 29 de setembro