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20º DIA — SEGUNDA-FEIRA · 7 DE SETEMBRO
Tema: Autodomínio e liberdade interior
Tudo me é permitido, mas nem tudo me convém... não me deixarei dominar por coisa alguma.
1Cor 6,12
O mundo costuma chamar de liberdade a possibilidade de fazer tudo aquilo que se deseja. São Paulo apresenta uma liberdade muito mais exigente: ser capaz de não fazer aquilo que se deseja quando aquilo não convém.
Há coisas que não são más em si mesmas e, ainda assim, podem tornar-se senhoras do coração. Uma comida, um entretenimento, uma compra, o celular, o descanso, a aprovação dos outros. A pergunta do cristão maduro não é apenas: “Isto é pecado?”, mas também: “Isto está me dominando?”
Eis uma das grandes provas da liberdade interior: conseguir renunciar até mesmo ao que é lícito.
As paixões pertencem à natureza humana e possuem sua função. O desejo nos move para aquilo que percebemos como bom; o prazer acompanha certos bens; o medo nos faz evitar perigos. A desordem começa quando essas inclinações deixam de obedecer à razão e a vontade começa simplesmente a segui-las.
O homem que não consegue dizer “não” aos próprios apetites pode possuir muitas liberdades exteriores e, ainda assim, viver interiormente como escravo.
Por isso a temperança é uma virtude de liberdade. Ela não declara guerra ao prazer legítimo; coloca-o em seu devido lugar. Comer é bom, mas não viver para comer. Descansar é necessário, mas não fugir continuamente do dever. Possuir bens é legítimo, mas não permitir que o desejo de possuí-los governe as escolhas. Usar as coisas criadas, sim; ser usado por elas, não.
É justamente aqui que a mortificação adquire sentido. Renunciar voluntariamente a uma pequena satisfação lícita ensina à vontade uma verdade importante: “Eu posso querer isto sem precisar obedecer a este desejo.”
Um pequeno “não” dito hoje pode preparar a alma para um “não” muito maior diante da tentação amanhã.
Mas o autodomínio cristão não é simples força de vontade. Não buscamos tornar-nos senhores de nós mesmos para sermos independentes de Deus. Pelo contrário: governamos nossas paixões para sermos mais livres para servi-Lo. A razão deve governar os apetites, mas ela mesma precisa permanecer submetida à verdade e à Lei divina.
PARA REZAR O SANTO ROSÁRIO, VOLTE À PÁGINA 14. EM SEGUIDA, RETORNE À PÁGINA SEGUINTE E ACOMPANHE AS MEDITAÇÕES DOS MISTÉRIOS DESTE DIA.
Mistérios Gozosos
1º Mistério Gozoso – A Anunciação Nossa Senhora recebe uma missão que modifica inteiramente sua vida e responde com perfeita liberdade: “Faça-se em mim segundo a tua palavra.” A verdadeira liberdade não consiste em realizar sempre a própria vontade, mas em possuir-se o bastante para entregá-la a Deus. Quanto mais a vontade se submete ao verdadeiro bem, mais livre se torna. Nossa Senhora não é escrava de seus próprios projetos; está inteiramente disponível para o Senhor.
2º Mistério Gozoso – A Visitação Nossa Senhora parte prontamente para servir Santa Isabel. O autodomínio não termina na capacidade de renunciar; torna-nos disponíveis para a caridade. Muitas vezes sabemos que deveríamos fazer o bem, mas o conforto responde: “depois”. A vontade disciplinada aprende a governar a preguiça, o cansaço e a comodidade para cumprir prontamente aquilo que a caridade pede.
Mistérios Gozosos · continuação
3º Mistério Gozoso – O Nascimento de Jesus Nossa Senhora e São José acolhem Nosso Senhor na pobreza de Belém. Não possuem as comodidades que naturalmente poderiam desejar, mas a falta delas não lhes rouba o essencial. A liberdade interior aparece quando podemos possuir um bem sem depender dele para conservar a paz. Quanto menos necessitamos das coisas para sermos felizes, mais livres estamos para recebê-las ou renunciar a elas segundo a vontade de Deus.
4º Mistério Gozoso – A Apresentação no Templo Nossa Senhora e São José apresentam o Menino Jesus ao Senhor. Aquilo que mais amam é reconhecido como dom recebido de Deus. Também o autodomínio exige desapego: não apenas dos prazeres, mas da vontade de possuir pessoas, projetos e bens como se fossem absolutamente nossos. A alma livre recebe com gratidão e, quando Deus pede, sabe entregar.
5º Mistério Gozoso – O Encontro de Jesus no Templo Nossa Senhora e São José procuram Nosso Senhor durante três dias e perseveram até encontrá-Lo. Nem a angústia os paralisa nem o sofrimento os desvia do dever. A liberdade interior também consiste em não ser governado pelo estado de ânimo. Podemos estar cansados, tristes ou inquietos e ainda assim escolher aquilo que é bom. A virtude permite que a vontade permaneça firme mesmo quando os sentimentos mudam.
Mistérios Dolorosos
1º Mistério Doloroso – A Agonia de Jesus no Horto No Getsêmani, Nosso Senhor experimenta profunda repugnância diante do sofrimento, mas Sua vontade permanece perfeitamente submetida ao Pai: “Não se faça a minha vontade, mas a Vossa.” Aqui contemplamos o domínio perfeito das paixões. Sentir intensamente não significa obedecer ao sentimento. A verdadeira liberdade permite escolher o bem mesmo quando nossa sensibilidade pede o contrário.
Mistérios Dolorosos · continuação
2º Mistério Doloroso – A Flagelação de Jesus Contemplando Nosso Senhor flagelado, somos chamados a examinar o domínio dos sentidos. O prazer corporal é um bem quando permanece dentro da justa ordem; torna-se tirano quando já não conseguimos contrariá-lo. A temperança ensina o corpo a servir à pessoa inteira. Pequenas mortificações voluntárias fortalecem a vontade para que, diante de uma tentação maior, ela esteja preparada para permanecer fiel.
3º Mistério Doloroso – A Coroação de Espinhos Nosso Senhor é ridicularizado e desprezado, mas não se torna escravo da opinião daqueles que O cercam. Também a necessidade de aprovação pode dominar uma pessoa. Quantas vezes fazemos, dizemos ou deixamos de fazer alguma coisa simplesmente por medo do julgamento alheio! A liberdade interior cresce quando preferimos uma consciência reta diante de Deus à aprovação dos homens.
4º Mistério Doloroso – Jesus Carrega a Cruz Nosso Senhor toma a Cruz e continua caminhando apesar do cansaço. O autodomínio aparece de modo muito concreto quando o dever se encontra com a vontade de desistir. Levantar-se na hora certa, terminar uma obrigação, perseverar na oração ou cumprir uma promessa apesar da falta de vontade são pequenas vitórias pelas quais aprendemos a governar a nós mesmos.
5º Mistério Doloroso – A Crucifixão e Morte de Jesus No Calvário, Nosso Senhor entrega-Se livremente por amor. Eis o ponto mais alto da liberdade: ser tão senhor de si que se pode oferecer a si mesmo. O egoísmo diz: “Quero conservar-me.” A caridade responde: “Quero entregar-me.” Todo autodomínio cristão tem esse fim: não controlar-se simplesmente para ser forte, mas tornar-se livre para amar.
Mistérios Gloriosos
1º Mistério Glorioso – A Ressurreição de Jesus Nosso Senhor ressuscita vitorioso sobre o pecado e a morte. Também nossa luta pelo domínio próprio deve ser orientada para uma vida nova. Cada hábito desordenado vencido, cada tentação recusada e cada pequena renúncia realizada por amor a Deus são passos de libertação. A graça não nos torna menos humanos; liberta-nos daquilo que impede nossa natureza de alcançar seu verdadeiro bem.
2º Mistério Glorioso – A Ascensão de Jesus ao Céu Nosso Senhor sobe ao Céu e mostra qual é o fim último da liberdade humana. Não fomos criados simplesmente para escolher entre muitas coisas, mas para escolher e possuir o Bem supremo. Quanto mais uma criatura nos domina, menos disponíveis estamos para Deus. O desapego restitui às coisas seu devido lugar e devolve ao coração sua direção para o Céu.
3º Mistério Glorioso – A Vinda do Espírito Santo O Espírito Santo fortalece os Apóstolos e transforma homens temerosos em testemunhas corajosas. O autodomínio cristão não é fruto apenas de treinamento humano. A graça cura e fortalece nossa vontade, e nós cooperamos com ela pela oração, pelos sacramentos, pela vigilância e pela prática das virtudes. Não combatemos sozinhos.
4º Mistério Glorioso – A Assunção de Nossa Senhora Nossa Senhora é elevada ao Céu em corpo e alma. Nela contemplamos a perfeita harmonia da pessoa humana: sentidos, afetos, inteligência e vontade inteiramente ordenados a Deus. É para essa unidade que também caminhamos. A santidade não destrói nossas faculdades; coloca cada uma delas em seu lugar, sob o governo da razão e da graça.
5º Mistério Glorioso – A Coroação de Nossa Senhora Nossa Senhora é coroada Rainha do Céu e da Terra. O verdadeiro reinado começa pelo governo de si. Quem é escravo dos próprios apetites pode conquistar muitas coisas e ainda não possuir a si mesmo. Peçamos a graça de uma liberdade cada vez maior: usar os bens sem apego, desfrutar o que é lícito sem dependência, renunciar quando necessário e escolher sempre o que conduz a Deus. Porque o homem verdadeiramente livre não é aquele que pode fazer tudo, mas aquele que não se deixa dominar por coisa alguma e permanece livre para escolher o bem.
Propósito do dia
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